Floramarílis

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Cara querida, Estefani nossa.
Como vai?
Nós não vamos, estamos esperando por ti, intactos.
Sentimos muito, nós também não imaginávamos que lhe aconteceria isso, odiamos sua primeira atitude irracional, louvamos a segunda de agora.
Achamos melhor assim, deixar de dizer, ou escrever seja lá, falar sempre de Estações, Primptemps, é bonito, mas nos aflige, te desguarda.
Queremos te proteger sempre, quebrar o lápis que te persegue se possível.
Deixe um pouco esse Pericárdio, Aorta, Tricúspide e veja-nos com bons olhos, como partes que lhe amam e lhe querem tanto bem.
Matute um pouco e considere se não é melhor…
E digo mais,  relendo-te, teu primeiro texto é tão semelhante ao último, ou a qualquer outro querida, tu serás sempre a mesma criatura,  mesma alma, acredite.
De começo vontade e tristeza serão certas, mas o tempo lhe responde logo.
Para ver que não somos assim duros, lembramos de ti num versinho que você passou os olhos sem perceber:

“Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?”

Com Amor,

Dendrito, Axônio e Sinapse

Para: CAROLINA XAVIER DE NOVAIS

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[Rio de Janeiro] 2 de março [ de 1869]

Minha querida Carolina
Recebi ontem duas cartas tuas, depois de dois dias de espera. Calcula o prazer que tive, como as li, reli e beijei! [...]
Diz a Stãel que os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem
simplesmente da necessidade de amar. Assim é comigo; mas, além dessas, há uma razão capital, e é que tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Espírito e coração como os teus são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa razão tão reta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias pelo teu sexo. Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar. Como te não amaria eu ? Além disso tens para mim um dote que realça os mais: sofreste. É a ambição dizer à tua grande alma
desanimada: “levanta-te, crê e ama; aqui está uma alma que te compreende e te ama também”.
A responsabilidade de fazer-te feliz é decerto melindrosa; mas eu aceito-a
com alegria, estou que saberei desempenhar este agradável encargo.
Olha, querida; também eu tenho pressentimento acerca da Minha felicidade; mas que é isto senão o justo receio de quem não foi ainda completamente feliz?
Obrigado pela flor que me mandaste; dei-lhe dois beijos como se fosse em ti mesma, pois que apesar de seca e sem perfume, trouxe-me ela um pouco de tua alma.
Sábado é o dia de minha ida; faltam poucos dias e está tão longe! Mas que fazer? A resignação é necessária para quem está à porta do paraíso; não afrontemos o destino que é tão bom conosco. [...]
Depois… depois, querida, queimaremos o mundo, por que só é verdadeiramente senhor do mundo quem está acima das suas glórias fofas e das suas ambicões estéreis. Estamos ambos neste caso; amamo-nos; e eu vivo e morro por ti.
Escreve-me e crê no coração do teu

Machadinho.

Fim fala a alma

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Hoje dia dos mortos, me sinto feliz em estar no jardim da vida, lugar de paz e tranquilidade, as flores são belas e o descando faz bem ao espírito, me encontro com muita gente, mas sozinha neste jardim maravilhoso que eu posso ver com os olhos que são as portas da alma, hoje preciso de descanso, meu corpo repousa em uma cama macia.
Vejo da janela deste colégio jardins de todos os lados, algumas pessoas brincam na quadra, outras saem daqui, eu prefiro ficar aqui.
Pois sei que um dia nos encontraremos todos em uma grande jardim preparado pelo senhor, lá todas os prantos se secarão, toda a mágoa e todo o tormento terá fim.
Será um jardim belo como este que vejo no momento, mas será todo especial.
Lá não terá orgulho, inveja, superioridade como aqui, lá seremos todos iguais, ficará aqui toda arrôgancia e distinção.
Aqui no jardim da vida existe tudo isso.
Não sei como podem me encarar neste momento, nem me importo em saber o que pensam de mim, somos muito diferentes por aqui.
Estou feliz por me dar o reconhimento no meio de tantas pessoas e me afastar delas para eu me sentir sozinha.

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3 de dezembro
“Aires amigo, confessa que ouvindo ao moço Tristão a dor de não ser amado,
sentiste tal ou qual prazer, que aliás não foi longo nem se repetiu. Tu não a queres para ti, mas terias algum desgosto em a saber apaixonada dele; explica-te se podes, não podes. Logo depois entraste em ti mesmo, e viste que nenhuma lei divina impede a felicidade de ambos, se ambos a quiserem ter juntos. A questão é querê-lo, e ela parece que o não quer.”

Escadada

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Na curva nessa escada barroca nos perdemos, Lembra-te? Entre ramas, um arrepio, carne telepática.
Na curva desta escada nos amamos , nos bens municipias, Lembra-te? Espetacularmente sós,  uniu formas vivas
Nessa curva barroca nos perdemos
Na curva dessa escada barroca
Na curva um arrepio telepático
Nos bens municipais entre ramas
Na curva dessa forma viva barroca
Espetacularmente sós, dando volta ao melhor de nós mesmos
Na curva dessa escada viva entre ramas, sós, nos bens municipais, nos perdemos
Na curva desta escada nos amamos.

Tarefa

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A felicidade disponta
E já podem perceber
Os tempos de labuta
Já vieram florescer

Com carinho e com zêlo
De duas vidas cuidar
Um caráter bem distinto
Já se pode observar

Hoje dei-lhe uma missão
E veio me encontar
Assim cumpriu me filho
Que mais posso desejar

Ele chegou orgulhoso
Com a tarefa cumprida
Fazer as compras da casa
Sem nada deixar faltar

E até alguma coisa
Que deixei de acrescentar
Ele com muita habilidade
Não deixou de procurar

Eu aguardava ansiosa
O seu regresso ao lar
Tinha hora que no peito
Algo vinha a palpitar

dia 22 de agosto de 77

A meu filho Ulisses de 12 anos completos
Da mamãe

O sorriso de vocês

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Ah! se eu pudesse definir a saudade
Na minha maneira simples de pensar
Vou tentar dizer o que vai na alma.

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Cai a chuva lá fora e no meu peito também
Que vontade de sair, que vontade de ficar
Sair na chuva, para que ela possa me lavar a mágoa
que me fere profundamente o peito.

Fere tão profundo como se fosse um espinho
cravado bem junto ao coração
É isso saudades, saudades de vocês…

Olho de um lado, olho de outro
Só não vejo vocês
Tenho tudo, e me sinto mais pobre
Do que aqueles que nada tem.

Falta-me tudo e esse tudo é vocês
Que vontade de vestir-me como uma dama
E sair a andar na chuva
Mas de que me adiantaria

No fundo uma alma ferida
Uma coisa me conforta
É aquele sorriso, que está sempre presente
E faz a dor ser menos doída
Isto é o sorriso de vocês.

Um pensamento

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É aproximadamente 8 da manhã, meus queridos já estão dormindo tranquilos, eu os observo.
Neste momento contente estou, gostaria que todos tivessem a paz que tenho agora.
As pessoas espalhadas cada qual em um canto, porém isoladas, isto até faz bem, mais eu queria que elas pudessem pelo menos falar o que sentem, será que também não falo tudo que sinto?
Porque? Já sei , as pessoas mudam de cor assim como os calangos, tem hora que aparecem verde, outra hora vermelhos e quando têm uma só cor, é difícil, eu já encontrei mas não falei, é muito simples para entender.
18 de novembro de 1977

Enigma

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E eu os cerco
Por um ambiente invisível
Formado do mais puro sentimento
Pensamentos, atitudes, desejos, esperança
e expectativa

Olho com orgulho e afeição
E empenho em protegê-los
Quando isto penso
A vida me parece uma eternidade

Tudo o que sinto e penso
Faz sentir-me forte
Como uma rocha
Tudo isto resume em vocês

Vovó é poetisa

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Isso, isso mesmo querido blog, vovó escreve poemas lindíssimos, e lhe conto já.
Eu bem sei que meu blog está todo desfalecido, caidão mesmo, nem eu mesmo te vejo, tudo por causa desses dias terríveis-floridos que me sequem, essas coisas todas que tenho que ler, menos escrever, ainda mais para mim , ou para quase ninguém.
Mas eu mesmo não quero falar de mim, que sou chatíssima e redundante, quero falar da dona Tereza, lindíssima rosa de abril, e declaro já meu amor por ti Hortência azul, te amo mais agora do que amei em qualquer dia, depois que descobri que você escrevia, e era tão delicada e amorosa com todos, enfim, ninguém vai entender isso, mas explico-me já .
Minha havia me comentado há algum tempo que escrevia, coisinha alí , à toa, poeminhas, eu logo que escutei comecei a pular que nem macaco, queria ver logo todas essas palavras, onde estão seus poemas vovózinha? A dona não ia me mostrar tão cedo, e não mostrou mesmo, foi preciso passar tantos meses para que o acaso me ajudasse a encontrar, enfim achei em uma pasta, nem mesmo ela sabia onde estava, acabou que achei prosa e poesia, prosa-poética, algumas para ela, que logo se emocionou sabendo que ainda existia papéis como aquele, se emocionou ao lembrar que escrevia coisas de amor, eu ao ler, quis chorar também, enfim, ao ler alguns daquelas fragmentos, eu comecei a te amar de verdade, eu nunca pensei que te amava, pensara que comecei a te amar automaticamente, desde que nasci, mas descobri que te amo porque você é igual aquelas milhares de hortências azuis que você tanto ama e cultiva lá no sítio, que adoça o olhar sem falar palavra alguma.
Você não deixaria eu levar nenhuma folhinha daquelas, então eu tive que roubar algumas, desculpe-me querida, mas a fome não tem consciência, e a poesia não deixa de ser um alimento para alma…
Então agora, vou deixar um pouco essas chatices todas que escrevo e vou postar papéis que a terra ia levar, vou tentar postar sempre, não por mim.
E aí vai:
São seis horas da tarde querida, o sol se esconde no horizonte, sinto a alma elevada em pensar em ti…”

21 de maio

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"Deixo aqui esta página com o fim único de me lembrar que o acaso também é
corregedor de mentiras. Um homem que começa mentindo disfarçada ou
descaradamente acaba muita vez exato e sincero"

Morte precoce

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Eu mesmo confesso não ter gasto muito tempo pensando nessa possibilidade, agora talvez me arrependa.
Veja como estou, tenho passado muito mal, vivo pouco, sonho quase nada, como mal, reclamo de tudo, tudo isso esperando o abate; teu silêncio inesperado, vai me ralando, ralando no meio-fio, ralando no meio.
Oh, você é tão agradável, todos parecem gostar de estar ao seu lado, todos parecem lhe ver como alguém especial, e rir de suas anedotas despretensiosas e eu que sempre lhe acompanhava de mão dada, me tornava tão radiosa por ser a mais próxima, de receber teu beijo na testa, dividir a cama e coberta. Eu não tinha nenhum (muitos) motivo para lhe deixar, enquanto você, tinha todos os motivos do mundo para o desenlace , mas parecia não ligar para eles, torcia para que essa distração durasse para sempre, ainda torço, apesar de saber que esse teu silêncio não signifique outra coisa… Eu ainda não te disse, mas se me deixares eu morro logo, morro em seguida, morro cedo.

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